quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

História da Gastronomia - Parte 02

 De Caçador à Agricultor: Primeira grande mudança na alimentação – Do homem caçador nômade para o agricultor civilizado. Por volta de 75.000 AC – Homo Sapiens (Neandertal): Uso do fogo para a alimentação, e a partir deste momento o homem se diferenciou dos animais. Usos de estacas como espetos. Por volta de 35.000 AC a 10.000 AC – Homo Sapiens (Moderno): Criação de armas (arpões, rede, etc.). A elaboração culinária está associada à inversão e aprimoramento dos utensílios de pedra e barro. Primeiras sopas e os Caldos Substanciais. Organização de caça em grupos e a carne sendo evidenciado como principal alimento e também surge a necessidade de um sistema complexo de sinais, desenvolvendo a linguagem. Armadilhas. 10.000 AC A 2.000 AC – Início da Agricultura, o período Neolítico na Pré-História: Cultivo de terra: - Arroz, Cevada, Trigo, Milho. Cultivo de Frutas; Maçãs, Laranja e Cerejas. Leguminosas; - Favas. As três ferramentas transformadoras. Primeiros ritos associados às colheitas. Invenção da roda para o arado. Objetos de cerâmicas aprimoradas – Ânforas. Domesticação dos animais – Ovelhas e porcos. Primeiras aldeias e o aumento demográfico significativo. IDADE ANTIGA – Período de 4.000 AC até o século V (Pão e Vinho): Segunda grande mudança na alimentação – Da necessidade ao prazer excessivo com os grandes banquetes e as influências Religiosas. 4.000 AC a 2.000 AC – Tecnologias de cocção – Influências Egípcias: O uso do forno, a fermentação e a fabricação do: Pão, trigo, azeitona e mel. Cultivo de legumes e verduras – Batatas, cenoura, ervilha, cebola e alho. Fabricação da cerveja e do vinho – Tecnologia de fermentação espontânea. Domesticação do gado e galinha. Leite e manteiga. Fundição e utensílios de bronze. Uso de sal e a introdução de temperos. O inicio das sobras alimentícias e o aparecimento das cidades na Mesopotâmia Meridional, na parte do Crescente Fértil. O inicio das civilizações e os costumes e rituais, das preparações e refeições como comunhão entre os homens. 700 A 300 AC – O início da Influência Oriental: Restrições alimentares; Os chineses proíbem o consumo de certos animais  já começam a tratar a culinária como ciência a arte. O Taoísmo enfatiza a noção de equilíbrio na alimentação; - Início da influência Religiosa na alimentação. O alimento como remédio e a inserção de diversos ingredientes na alimentação. 700 a 300 AC – Grécia Antiga e a trindade do pão, vinho e azeite: Arkhestratus (384-322 AC) que escreve o tratado dos prazeres, conhecido como Gastronomia. Estrutura de cozinha e utensílios. Cozinha forte e picante com a utilização de muitos temperos para aristocratas e mazza uma espécie de mingau de cevada para os camponeses e escravos, este último representando a classe responsável em preparar e transformar os alimentos. Início da formação de brigada: Mageiro (Cozinheiro, masseiro); Cenophoros (sommelier); Eletros (Chef de saída). Após anos de experiência os escravos começaram a formar as brigadas denominadas acima e logo os mageiros se transformam em archimageiros ou o atual chef de cozinha. Os padeiros tornaram-se famosos e mais tarde os melhores padeiros romanos eram gregos ou de origem grega. O início dos horários das refeições. Festa e homenagem a Dionísio – Deus do vinho para os Gregos e Baco para os Romanos. 300 AC até século V DC – Império Romano: O sal como produto comercial da região e a primeira moeda de troca. Alimentação por classe social. Queijos defumados. As pessoas comiam deitadas em camas dispostas num ambiente chamado Triclinium. A base do tempero era o garum ou liquamem, um fermentado de vísceras de peixe que valia mais do que o ouro. Banquetes exagerados regados a vinho e muita comida, sendo servida a comida no primeiro momento e o vinho e frutas secas em outro momento mais longo das refeições, chamado de simpósio. A colher era o único talher utilizado. A grande influencia grega com as guerras e a conquista Romana sobre a Grécia. Trouxe da Síria a grande influência do savoir-vivre e dos hábitos alimentares do Oriente Médio que representavam a hospitalidade e as boas maneiras à mesa. Os chefes se tornaram organizadores de banquetes e pessoas importantes. Os romanos catalogaram várias espécies de ingredientes. Considerado o primeiro livro de cozinha com receitas, chamada também como De re coquinaria, escrito por Apicius. A carne de porco era a mais consumida, inclusive com a charcutaria. A queda do Império Romano. IDADE MÉDIA – século V a XI: As Especiarias e os Mosteiros. Feudalismo a as primeiras propriedades alimentícias. Comia-se muito e a moda era ser gordo. Século V – Invasões Bárbaras: Conhecido como invasão dos estrangeiros, destacam-se, neste processo, os Godos (originários do sudeste europeu), os Vândalos e os Anglos (da Europa central), entre outros povos germânicos e eslavos. Considerados por muitos, a hibernação da Gastronomia, período na história que se caracteriza por alimentação nômade e exploração e sem um quadro evolutivo de transformação. Caracterização européia pelo modo social econômico feudal. Bizâncio ou império Bizantino, será a guarda do legado cultural Greco-romano e acrescentará o cristianismo como uma força unificadora. A cebola e o alho eram os temperos mais utilizados. O peixe é a principal proteína consumida e influenciada pela igreja. Bizâncio ou Constantinopla como também é chamado, representa uma passagem do Oriente para o Ocidente. A sua localização é estratégica e favorece o comércio de produtos. Século VIII ao século XV – Invasão Muçulmana: A invasão muçulmana do Oriente para a Europa e trazem com eles as laranjas, gado, café, arroz, açúcar, noz-moscada, canela, hortelã, anis e outras especiarias que estimularia grandes expedições pelo mundo. Com os Muçulmanos, os ocidentais aprenderam os cuidados de higiene pessoal, banho diário e técnica de destilação. O Império Bizantino inventa a toalha de mesa, os talheres e a mesa para as refeições. Peste Negra ou Peste Bubônica devasta 1/3 da população Europeia. A igreja católica romana dita às regras alimentares da Antiguidade – Regra de São Bento. Monges Beneditinos, irmãos leigos, fundam o mosteiro de Citeaux e iniciam assim as abadias produtoras e transformadoras de alimentos, neste sentido guardam e preservam os conhecimentos alimentares antigos, principalmente da arte do vinho e da cerveja. O Inicio das grandes navegações e a procura de novas rotas marítimas. Escola de Sagres e o início do domínio de Portugal e Espanha no comércio internacional. A descoberta do continente americano por Cristovão Colombo. A viagem de Vasco da Gama à Índia, passando pelo Cabo da Boa Esperança. Queda e tomada de Constantinopla pelos Turcos e outras grandes cidades se desenvolvem impulsionadas pelo comércio urbano. O manuscrito Le Viandier, de Taillevent o principal documento gastronômico da época. IDADE MODERNA – Século XV até o século XVIII: A Alta Renascença e a Européia Classista. Uma nova forma humanista, natural e científica de ver o mundo. Século XV – As descobertas: Ciclo das descobertas e intensificação do comércio de especiarias no Ocidente. Veneza se torna o principal centro comercial da Europa. Chegada dos primeiros americanos na Europa e dos europeus na América e uma evolução gastronômica com a diversidade de ingredientes. Início da formação dos impérios coloniais Europeus nas Américas e o início do capitalismo europeu. O mercado de escravos africanos na Europa se torna muito lucrativo entre a classe burguesa. Os principais produtos da América para a Europa foram feijões, batata, tomate, milho, pimentão e cacau. Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil. As grandes navegações portuguesas e espanholas no mundo oriental, levando com eles alguns ingredientes europeus e americanos. O banquete com grande influência romana representa num espetáculo, neste sentido o efeito do evento é de surpresa e de grandes repercussões. A principal obra literária na época e uma das primeiras impressas, tanto na França, como, na Itália, foi De honesta voluptare, de Platina de Cremona, pseudônimo do historiador italiano Bartolomeu Sacchi. Século XVI – O auge do Renascimento: O início da exploração dos navios da Companhia das Índias e o favorecimento comercial da Inglaterra e da Holanda. Cozinha italiana fica forte, junto com o Renascimento. Banquetes fortíssimos, comida barroca, vários temperos misturados. As entradas de produtos orientais dominam os mercados europeus e mudam os hábitos alimentares de forma gradual. O auge dos hábitos da ameríndia na Europa e a batata como ingrediente valorizado. Os pratos individuais são utilizados, juntamente com talheres e taças individuais. Aumenta a intensificação do intercâmbio entre a Itália e Flandres. A burguesia se fomenta como uma classe de poder, dividindo o espaço com os Nobres Europeus donos dos Grandes Castelos. O grande pacto entre Itália e a França com Catarina de Médicis e Henrique II, levando da Itália para a França o conhecimento, as boas maneiras, as técnicas gastronômicas com os cozinheiros e a elegância da corte papal, na qual a Itália dói à precursora. Surge o início do refinamento de técnicas, ingredientes e modos, colocando a França como evidência no Mundo Gastronômico. Surgem às tavernas e os albergues de Paris, inclusive, fundado o albergue de alto nível chamado La tour d’Argent, que seria intitulado por muitos historiadores o primeiro restaurante. Século XVII – Gosto Francês como referências e o triunfo da manteiga sob o azeite da culinária Mediterrânea. Hegemonia da cozinha francesa. Chef da corte francesa, La Varenne em seu livro Le Cuisinier Fraçois escreveu receitas padronizadas e instruções de serviços. Uma de suas criações é o molho Bechamel, em homenagem ao Marquês de Béchameil, evidenciando a importância da manteiga e ervas frescas neste período da cozinha francesa e da haute cuisine. Luís XIII estabelece em sua corte uma ordem no serviço e nas apresentações, fazendo assim um ajuste para evitar as extravagâncias e aproximando os nobres e a dietética na gastronomia. No reinado de Luís XIV, vem a tona uma nova cozinha francesa e as refeições elaboradas com muita grandeza se tornam espetáculos com detalhes e técnicas surpreendentes, evidenciando a arte e os prazeres à mesa. Nestes espetáculos podemos citar o mais famoso maítre d’ hôtel, Fritz-Karl Watel, conhecido por Vatel. As cozinhas planejadas dos grandes castelos representavam a importância da gastronomia da época. Não só as elaborações, mas arte e modos à mesa têm seu auge na corte Luís XIV. Começa a serem utilizadas as taças de cristais. Depuração do gosto e novas formas de estimular e apreciar o prazer gustativo. Invenção da máquina a vapor na Grã-Bretanha. Dom Pérignon, na abadia de Hautvillers, na região de champagne, observando a segunda fermentação nas próprias garrafas guardadas, cria a técnica chamada de champenoise e o início do gosto pelos espumantes franceses. Na Grã-Bretanha, é inventada a primeira máquina de semear puxada a cavalo, permitindo a mecanização da agricultura. A França começa influenciar alguns países por meio da moda gastronômica. Século XVIII – A Burguesia Holandesa. Revolução Francesa e a disseminação dos restaurantes, no qual muitos chefes empregados da aristocracia francesa serão contratados ou abririam seus próprios restaurantes dando a oportunidade da Haute cuisine para quem tivesse condições para pagar, ou seja, iniciando a democratização da cozinha. Na Espanha, os mercados surpreendiam com as variedades de frutas, verduras e também pela alta qualidade da charcutaria devido à suinocultura hispânica. Portugal influencia o oriente e o Brasil demarcados pelos seus territórios do império colonial. A Holanda e a suíça aprimoram a técnica de fabricação de chocolate, trazido das Américas pelos espanhóis. Na Grã-Bretanha, é inventada a primeira máquina se semear puxada a cavalo, permitindo a mecanização da agricultura. A Burguesia dos Países Baixos, predominantemente os Holandeses, se enriqueciam e começavam a explorar a produção alimentícia em alta escala. Surge em Paris o primeiro restaurante chamado Boulanger, nome que se refere ao proprietário, onde servia sopas restauradoras, intitulando o termo restaurante (do francês restaurant) como um significado para a “comida restauradora”. Revolução Industrial e a cultura em massa. Surgem estabelecimentos para a comercialização de produtos. Marie Antoine Carême faz a primeira sistematização da Grande Cozinha Ocidental e contribui na busca de combinações ideais, em vez da justaposição característica da cozinha medieval. Neste sentido engrandece a cozinha Francesa e a leva ao auge gastronômico. IDADE CONTEMPORÂNEA – Século XVIII até os dias atuais. O mundo prático e industrialização do fast food e a grande desconstrução da cozinha. O desenvolvimento do capitalismo e a globalização. Século XIX – O novo combustível das cozinhas: Brillat-Savarin, escritor epicurista ou como filósofo da mesa como era chamado, lança anonimamente o seu livro chamado. A Fisiologia do Gosto (La Physiologie du goût), obra sobre o paladar refinado. Na Grã-Bretanha começa a ser utilizados fogões à Gás, Geladeira e mais tarde forno elétrico. Nos restaurantes o menu, informa o que seria servido, termo que só começa a ser utilizado na Restauração. Napoleão por motivos de guerra, premia Nicolas Appert, conhecido como pai da conserva. Nos anos seguintes juntamente com a Pasteurização de Louis Pasteur, representaria o principal foco para a industrialização dos alimentos.Thomas Alva Edison inventa a primeira lâmpada elétrica comercialmente viável e começa a ser usada a energia elétrica com outras finalidades. Invenção da Coca-Cola e no mesmo período a publicidade e suas   técnicas para dar credibilidade a um produto. Inicia um processo intenso e de grandes mudanças nos hábitos alimentares. A invenção do Hambúrguer nos Estados Unidos, a simplificação da refeição e a intensa industrialização. George August Escoffier e Fernand Point simplificam e padroniza os procedimentos culinários da “Grande Cozinha”- Escola Moderna de Cozinha, também chamada como a Haute cuisine internacional. Escoffier com seu livro Guide Culinarie traz grandes mudanças na profissão da gastronomia e torna-se indispensável na cozinha profissional. Neste sentido, trata-se uma nova forma organizacional da cozinha profissional, visando a setorização da cozinha, o trabalho em equipe racionalizado organizado hierarquicamente e a simplificação dos pratos para serem mais rápidos. Século XX – A Nouvelle Cuisine versus fast food: Com a utilização do combustível fóssil, o desenvolvimento dos transportes e o modo capitalista, iniciam-se um grande deslocamento populacional e turístico intenso na Europa. A grande parceria entre a hospitalidade de Caesar Ritz e a Gastronomia Auguste Escoffier, confere a maior internacionalização da Haute Cuisine e a maior difusão da gastronomia profissional pelo mundo. Os utensílios de cozinha passaram por grandes mudanças, inclusive no material, passando do cobre para o alumínio, níquel e material inoxidável. Fusion Food, ou misturas de cozinhas e conceitos de diversas etnias. Surge o primeiro guia de restaurantes e viagens, o Michelain, que está até hoje ditando moda na gastronomia mundial. Nos anos 50, a moda das lanchonetes americanas, Fast Food. Na França na década de 70, como a nova hegemonia a Nouvelle Cuisine - representa na inovação da Grande Cozinha com grandes influências orientais. Os grandes Representantes deste movimento: Fernand Point, Paul Bocuse, Jean e Pierre Troigros, Michel Guérard, Roger Vergé e Raymond Oliver. A filosofia da Nouvelle Cuisine: Porções mínimas, pouco cozimento, temperos frescos, preservando o sabor natural de cada ingrediente, respeitando a sazonalidade do alimento e as apresentações primorosas e individuais. Sucesso do Fast Food e a grande influência dos hábitos alimentares por todo o mundo. Na França com participação de outros países, surge a cozinha como laboratório ou denominada, cozinha molecular. Um dos precursores desta vertente foi Hervé This. Nos anos 90, na Catalunha, chamada de revolução catalã, comandada por Ferran Adrià, ou também chamada de cozinha de vanguarda dá início à hegemonia espanhola na gastronomia e com ela, vem outras vertentes da mesma época denominadas a desconstrução das preparações. Na Itália é fundado um movimento chamado Slow Food por Carlo Petrini, iniciando assim uma forte valorização do alimento em sua produção, na elaboração e na confraternização da refeição coletiva. No ano de 2000, consolida por meio de influências da Nouvelle Cuisine francesa e da cozinha espanhola de vanguarda de Ferran Adrià, a cozinha chamada Tecno emocional e seus novos equipamentos trazidos dos laboratórios de química e física.

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